Nossas Histórias

ESSE BLOG É PARA CONTARMOS AS NOSSAS HISTÓRIAS, MOSTRAR A NOSSA LUTA E A NOSSA VITÓRIA...

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

ESTOU COMPLETAMENTE CONSTRANGIDA...PESAROSA. UM MEMBRO DA COMUNIDADE...AMIGA NOS PERFIS E GRUPOS SE FOI. PELO QUE FIQUEI SABENDO, ELA COMETEU UM SUICÍDIO. PESSOA QUE TAMBÉM TINHA UMA COMUNIDADE QUE LUTAVA CONTRA O ABUSO SEXUAL. JOVEM E ATIVA, CHEGOU A PEDIR AJUDA, MAS NÃO AGUENTOU E PREFERIU NOS DEIXAR. E ANTES DE ALGUÉM DIZER QUE FOI COVARDIA, EU DIGO QUE O TABU...A REJEIÇÃO...A OMISSÃO SÃO TÃO GRANDES, QUE É DIFÍCIL JULGAR. EU SEMPRE DISSE QUE O ABUSO SEXUAL MATAVA OS NOSSOS SONHOS E AS NOSSAS ESPERANÇAS. INFELIZMENTE, ALGUMAS VEZES, MATA TAMBÉM O NOSSO CORPO...BYA. (O SEU DEPOIMENTO ENCONTRA-SE AQUI...)


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Depoimento da Samantha

Esse depoimento não é  sobre o abuso sexual, mas sobre uma outra violência muito cruel: o bullying.
Samantha me escreveu elogiando a coragem de todos e pediu para postar sua história, o  que estou fazendo. Muito obrigada, Samantha, pelo apoio e pelo carinho!!!



Prezada Bya,
Meu nome é Samantha Ramos, estou escrevendo-lhe porque há pouco mais de uma semana, me deparei com um blog que falava de silencio...
Quando vi o conteúdo, sua luta diária, sua história de vida, fiquei impressionada, enojada com a sociedade que insiste em ser machista, omissa, cruel diante de fatos, relatos, denuncias, desespero.
Eu sinto que devo lhe dizer que te admiro como mulher, mãe e esposa. Você é uma guerreira, que luta todos os dias para ficar de pé mesmo depois de todo seu sofrimento.
Li sua história no blog e seu caso, como o de tantas Byas nesse mundo, me deixou sem chão. Eu não entendo como uma pessoa ignora o fato de maltratar uma criança, de tal forma, modificando toda uma vida, destruindo o sonho de felicidade, pra satisfazer um desejo impuro, maldoso. Tirando-lhe a inocência, deixando ao léu uma criança com a alma machucada para sempre.
Eu gostaria que todos acessassem as histórias de superação, de garra, de luta que todos os dias são postadas aqui. São todos guerreiros lutando contra abusos, sem se omitir ou fingir que nada aconteceu para tentar levar a vida. Contam, graças a seu primeiro passo, suas dores, extravasam e encontram pessoas que não vão julgá-los, levam a vida em prol de causas para evitar que mais crianças sejam maltratadas de forma tão atroz.
Eu devo agradecer a você por não ter desistido da vida, Bya. Você é importante para todos que lhes contaram sua história aqui e se tornou importante para mim. Agradeço por não desistir do seu marido que te ama incondicionalmente, porque parece mesmo que Deus o colocou na sua vida, para te oferecer todo o amor que lhe faltou quando criança. Agradeço por ter tido dois filhos maravilhosos, que terão sua essência e vão perpetuar sua força.
Obrigada por continuar lutando, por você e por todos aqui. Você é maravilhosa e, como nos depoimentos que coloca, eu também acredito verdadeiramente que nos próximos estará melhor e melhor e melhor e cada vez mais disposta, dormindo bem, sonhando com coisas boas, que te tragam felicidade. Voce tem uma família maravilhosa agora e eu desejo que eles sejam sua fortaleza para continuar seu lindo trabalho, o qual voce se doa para ajudar outras pessoas.
Obrigada.
-
Eu tenho 20 anos, não sofri abuso sexual, sofri 14 anos de bullyng na escola, nas ruas. Acho que estou superando aos poucos, mas percebi recentemente que às vezes ainda abaixo a cabeça ao passar por pessoas ‘bonitas’ nas ruas. Achei estranho e continuei caminhando jurando que ia me atentar pra não ficar intimidada dessa forma novamente.
Fiquei emocionalmente abalada por muito tempo. Sofri com chacotas de adultos, adolescentes e crianças. Sofri. Chorava por não ter amigos, por não ser aceita, por não ter nascido com os cabelos lisos, e por ter o nariz largo que era motivo de piadas, para meu desespero.
Tentei suicídio aos 8 anos, furando a garganta com um garfo de petisco feito de bronze, por não ver motivos para estar aqui, por não me encaixar em lugar nenhum, por não ter pra onde fugir. Tive medo. Medo de deixar meus pais. Eu contava, mas o que eles podiam fazer para controlar as outras crianças? Alimentavam minha auto estima como ninguém faz até hoje! Mas foi duro. Cada ano na escola foi um desafio para mim. Doeu.
Aos 14 anos dei meu primeiro beijo, um rapaz de 18 anos, comprido como um poste, mas que parecia mesmo que gostou de mim. Primo de um vizinho, e dizia que tudo que me agradava, agradava a ele, mas foi um beijinho estranho.
Aos 15 anos conheci amigos maravilhosos, que cultivo com amor até hoje.
Aos 16 anos precisava fazer algo pra fugir, então procurei um emprego e  comecei a fazer um estágio, graças ao bom coração do meu chefe. Eu não conseguia dizer meu nome na entrevista, tamanho o trauma que tinha de ADULTOS que me maltratavam falando da minha feiura e meu tamanho. 1,74m, feia e comprida, fora do padrão. Ele apostou em mim e fiquei lá 2 anos, até entrar na faculdade.
Encontrei outros 2 empregos depois desse, convivi com pessoas boas e me senti melhor.
Beijei outros rapazes que me achavam bonita e atraente. Comecei a flertar. Alguns rapazes viraram grandes amigos.
Há 1 mês de completar 19 anos, conheci meu noivo. Entre trancos e barrancos, hoje estamos firmes e fortes.
Hoje estou me formando em Marketing, mas gosto da área Biomedica, terminando essa, passo pra próxima.
Tenho um noivo lindo, (sem exageros!) que não se importa com o meu nariz largo ou com os meus dedos dos pés compridos e tortos, nem com meu cabelo rebelde. Ele me ama. Depois de tudo o que passei, eu tenho um alguém que me ama, e demostra isso todos os dias, e me diz que sou linda, me pede pra superar quando algo me faz lembrar e me faz sentir uma rainha.
Obrigada, amor.
-
Eu desejo que todas as pessoas que sofreram abusos, que consigam encontrar sua paz, longe da maldade, recomeçar, devagarinho, uma vida nova, sem dor, sem sofrimento.
Os abusos que sofri foram diferentes dos depoimentos que vi aqui, mas deixaram traumas tão ruins que quis me abrir e compartilhar com todos que acompanham, para pedir que não desistam de viver e que recomecem. Tenham paciência consigo e sejam felizes novamente. Como disse a Bya, “Não se cobrem...o momento, para cada um, chega na hora certa. E enquanto esperamos por esse momento, o mais importante é não desistir. Somente persistir. Um passo de cada vez. Um dia de cada vez.”

Um grande beijo.

Com carinho,

Samantha Ramos.

São Paulo, 13 de novembro de 2013.

Bya, eu  gostaria que meu depoimento aparecesse no blog.

Um beijo carinhoso no seu coração! :)

--
Carinhosamente, 

Sαmαnthα Rαmos. 

- "Sentiα um αcréscimo de estimα por si mesmα, e pαreciα-lhe que entrαvα enfim numα existênciα superiormente interessαnte, onde cαdα horα tinhα o seu encαnto diferente,
cαdα pαsso condiziα α um êxtαse, e α αlmα se cobriα de um luxo rαdioso de sensαções!"

Eçα de Queirós.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

DEPOIMENTO DA ADOLESCENTE O.Y

Tudo começou quando eu tinha 4 anos. O primeiro abuso(consumado), por
um amigos dos meus pais. Que durou por 3 anos. E dentro desses 3 anos,
sofri abuso por outro amigo dos meus pais (não foi consumado). Sofri
abuso (consumado) Pelo marido da babá que eu tinha na época. Depois
que mudamos de casa, parou por algum tempo, mas certo dia, em um
clube, na piscina, o pai de uma garota que eu brincava no dia, abusou
de mim. E quando vim para o Rio de Janeiro, sofri abusos (consumados)
pelo meu primo dos 10 anos aos 15 anos. Hoje, tenho 16 anos, Tenho
Transtorno de Personalidade Boderline, era viciada em sexo, álcool e
cigarro. Já tentei me matar muitas vezes... Tenho muitos medos, muitas
dúvidas, dores... Sou uma sobrevivente do abuso sexual/ estupro, sou
filha de Deus, mas também Filha do Silêncio, pois até hoje, nunca
contei nada para minha família.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

ALEXANDRA

O padrasto de Alexandra abusava sexualmente dela desde que a menina tinha 7 anos. Para lidar com assédios sexuais noturnos, Alexandra tentou negar o que lhe estava acontecendo pensando em coisas boas e desejando que o abuso acabasse logo. Quando Alexandra foi para uma nova escola, uma garota começou a espalhar boatos de que ela e o padrasto faziam sexo. Alexandra ficou aterrorizada. Ela não conseguia entender como a garota havia descoberto. Quando foi chamada pelo diretor da escola, ela se sentia constrangida e amedrontada demais para revelar a verdade. Negou os boatos e assegurou ao diretor que o padrasto nunca faria algo tão reprovável. Mesmo quando teve a oportunidade para revelar o abuso sexual, o medo das consequências de admitir a verdade pesou mais do que a oportunidade de acabar com assédio sexual - um fato que sempre esteve presente na consciência de Alexandra.


ABUSO SEXUAL EM CRIANÇAS
CHRISTIANE SANDERSON

CARLOS

Carlos tinha sido abusado sexualmente pelo irmão mais velho dos 8 aos 12 anos. Sabia que se tratava de abuso sexual. Aos 12 anos, Carlos conheceu um homem mais velho que lhe ofereceu dinheiro para acompanhá-lo até seu quarto de hotel. Carlos concordou. Depois de tê-lo violentado brutalmente, o homem se mostrou muito amável, abraçando e afagando o menino e dando-lhe bastante atenção. Carlos adorou esse aspecto do encontro e sentiu que isso, mais que o dinheiro, fora sua recompensa por ter deixado o homem violentá-lo. Esse foi o início da carreira de Carlos como garoto de programa e prostituto. Durante os 25 aos como profissional do sexo, seu estímulo foi mais o afeto do que o dinheiro que recebia.
Além disso, a violência que acompanhou o primeiro contato sexual por dinheiro ficou misturada como amor e o afeto que recebia depois. Isso significava que o Carlos poderia sempre participar de atividades sexuais de extremo sadomasoquismo, em que apanhava muito, era chicoteado e violentado antes de ser abraçado e conseguir ter orgasmos. Quando começou a terapia, Carlos estava certo de que sua primeira experiência como garoto de programa não tinha sido um caso de abuso sexual em crianças, porque ele consentira em trocar sexo violento por afeto.


ABUSO SEXUAL EM CRIANÇAS
CHRISTIANE SANDERSON


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Anônimo...

Recebi esse pequeno texto como um comentário da postagem anterior. Um texto que não deixa de ser um depoimento...Bya.

Deixa eu desabafar.
Quando alguém perde a infância, perde-a pra vida toda.
Não da para lembrar-se de momentos felizes, quando os tristes são mais fortes.
Uma surra se apaga com carinhos e cuidados que se apagam com torturas e desprezo.
Uma palavra dita e não ouvida, é tormento para os ouvidos que ficam ecoando tais palavras de quem as falou.
Triste vida de quem não foi ouvida...
Um grito da alma, a dor de quem perdeu algo que nunca nem conquistou.
Eu acho que sabia que essa dor não ia passar, mas esperava que passasse, e a cada dia doía mais.
A dor de não conseguir superar outra dor, é forte e me sinto incapaz.
Quem me fez incapaz? Quem perguntou se eu queria?
Eu queria ser criança, eu queria ser amiga e quando crescesse ser esposa, princesa, feliz...
Não da pra fazer alguém feliz, sendo triste. Triste a dor de quem nunca vai ser motivo de felicidade na vida de alguém.
Se eu soubesse que seria assim... Não seria eu... Escolheria ser outra pessoa. Mas ninguém quis saber...
Escrevo e choro, queria ter a chance de uma infância diferente, uma que eu escolhesse, sem luxo, sem riqueza com amor, sem fazer amor. Eu fazia ódio, mas não sabia.
Uma criança inocente, um adulto covarde e um segredo revelado.
Quem poderia me ajudar, criança inventa cada uma, e eu inventava coisas feias demais pra uma menininha.
A criança não quer, o adulto insiste e o mau foi implantado na vida da criança.
Do adulto não, ele sabia o que queria e nunca se arrependeu.
Criança sincera, adulto mentiroso e o futuro monstruoso.
A Criança sente medo, o adulto o prazer. Mas prazer acaba, e ele vai querer de novo, e de novo. O medo fica.
Coitada da menina, que tinha mãe, que tinha pai...Pai que pai?
O pai que dava carinho amor, não deixava passar fome,mas cobrou um preço muito alto, a menina vai pagar a vida toda.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

SOBREVIVENTE DA ESCURIDÃO / GRUPO CHEGA DE VIOLÊNCIA CONTRA A CRIANÇA

Eu fui uma de tantas crianças que foram abusadas sexualmente na infância por meu pai.

Não fui a primeira nem a última.

Antes de me abusar, ele já abusara de crianças e adolescentes, tanto na família de origem dele como na da minha mãe.

Minhas lembranças de ter sido abusada por ele, vêm desde a época que eu ainda ia ao jardim de infância. Meu pai me assediava diariamente e esta tortura durou por toda minha infância e também adolescência, quando comecei a tentar me esquivar dele e a protestar contra suas investidas.

Como é comum de abusadores deste tipo, desde pequenina meu pai fazia chantagens emocionais comigo, pedia que eu guardasse segredo, como prova de meu amor por ele, pois caso contrário ele afirmava que seria preso.

Ele dizia que as pessoas não entenderiam este amor dele por mim.

Segundo ele, este amor que ele dizia sentir por mim era o maior que ele já tivera.

Ele dizia não sentir amor por minha mãe e sim por mim.

Meus conceitos de certo ou errado, ficaram afetados por muitos anos, pois o conflito de querer acreditar que meu pai estava certo, como toda criança acredita e a sensação de que algo estava muito errado, por causa do segredo que ele me fazia guardar, fizeram com que eu tivesse uma percepção muito distorcida da realidade durante a minha infância.

Jamais consegui ter proximidade com minha mãe ou ser amiga dela, nem eu sentia que ela era minha amiga, pois meu pai dizia que se ela sentiria muitos ciúmes e raiva de mim se um dia soubesse que ele amava mais a mim do que a ela.

Assim, como defesa, eu passei a sentir raiva dela desde criança.

Anos mais tarde, quando eu já era adulta, fiquei sabendo que ela tinha conhecimento de que meu pai abusara de pessoas na família dela também, antes de eu nascer.

Sabendo disto não consegui mais ter respeito por ela depois de perceber que, apesar de ela saber que meu pai continuava a abusar sexualmente de crianças, ela ainda insistia tanto em querer ficar ao lado dele.

Acho importante transmitir às pessoas o quanto o abuso sexual se estende para muito além do próprio abuso sexual.

Isso afeta a vida das pessoas no sentido mais intenso e mais extenso que qualquer tipo de violência pode causar, ao mesmo tempo que deixa a pessoa viva para sofrer a dor do abandono, da traição e do desamor.

Minha baixa auto estima, meu sentimento derrotista e minhas dificuldades de relacionamentos culminaram em uma forte depressão aos meus 26 anos, quando fui abandonada por um namorado, que apesar de ser médico, dizia não conseguir conviver com meus estados depressivos.

Como muitas das vítimas de abuso sexual na infância, eu também não quis mais viver…

Após longo período de hospitalização, psicoterapia e antidepressivos, tive retomada a vontade de viver.

Mas o principal motivo, foi acreditar que eu era amada por aqueles que me socorreram: meus próprios pais.

Pedidos de desculpas, foram encarecidamente apresentados, assim como cumprimentos de novenas e promessas de que meu pai jamais abusaria sexualmente de qualquer pessoa novamente, em troca do meu perdão.

Ele se declarava "curado"!

Jurava que eu podia acreditar nele a partir de então.

Eu era a pessoa que mais queria acreditar nisso.

Eu acreditei que a iminência da minha própria morte o fizera perceber o quanto ele havia me machucado e o perdoei tentando recomeçar uma vida nova.

Eu não fazia idéia ainda, de que a história acontecida comigo voltaria a se repetir por muitos anos afora.

Mais tarde, depois de perceber toda a farsa, ao me dar conta de que ele voltara a abusar sexualmente de crianças, passei anos me debatendo em brigas com meu pai e ele tentando convencer as pessoas de que eu era louca.

Todas as tentativas de fazer com que as pessoas acreditassem em mim foram inúteis.

As pessoas da minha família achavam que eu tinha uma obsessão em suspeitar dele por causa do que eu havia vivido na infância.

Fiquei mais uma vez isolada, desta vez por trazer a verdade à tona e tentar proteger novas vítimas.

Sem as interferências negativas de minha família, consegui me fortalecer, apesar de ter carregado ainda por muitos anos o sentimento de culpa de que se um dia eu fosse tornar pública uma denúncia contra meu pai, eu iria destruir minha família.

Apesar disso, a idéia não me saia da cabeça, pois eu sabia que ele continuava a molestar crianças, mas eu me sentia ainda acuada e isolada para tomar uma atitude em relação a isso.

Tudo mudou, quando tomei conhecimento da ASCA, uma organização de sobreviventes de abuso sexual na infância aqui na Austrália.

Ao ouvir as histórias de outras sobreviventes, me dei conta de como minha história se repetia na vida de tantas outras pessoas que eu nem conhecia e também de como ficava mais claro olhar de fora a experiência destas pessoas e analisar meus próprios traumas.

FORTE...DEPRIMENTE...PORÉM REAL.

Os monstros da minha casa: Desenhos de crianças retratando o abuso que sofreram

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Esses são os desenhos da exibição bizarra e comovente "os monstros da minha casa" que aconteceu em Outubro de 2010, na Espanha. Várias crianças que sofreram abusos sexuais fizeram esses desenhos acompanhados por especialistas, que interpretaram as imagens.

Andreu, 8 anos
Foi abusado pelo padrasto desde os 4 anos. No desenho ele representa ele mesmo em pânico, e dá atenção especial ao zíper da sua calça e os botões de sua camisa, que pra ele representam um símbolo de quando os atos sexuais iriam começar.

Fernando, 13 anos.
Ele foi abusado pelo seu pai desde cedo, e agora mora com a mãe, que conseguiu fazer ele se recuperar bem. Ele desenhou o pai como um demônio em um bar, bebendo cerveja e jogando em caça-níqueis. Os riscos saindo do demônio representam o cheiro de álcool. Fernando sente raiva quando mencionam o pai perto dele.

Elena, 6 anos.
Elena sofreu abusos sexuais do seu pai. Agora ela vive com a vó. No desenho, ela coloca sua avó e sua mãe bem grandes. Ela se sente protegida perto das duas. Ela também representa o seu pai transando com ela, bem pequeno, em cima das letras.

Miriam, 9 anos
Sofreu abuso psicológico. Sua mãe chegou na Espanha com 15 anos de idade e grávida dela. Ela era uma minoria racial por lá, e ela sofreu abusos dos colegas de classe por conta de sua etnia. Ela é a menor pessoa do desenho, que está envolvida com alguma coisa, representando sua solidão. No canto ela tinha escrito "me sinto sozinha" mas apagou porque tem vergonha disso.

David, 8 anos
Ele sofreu abuso sexual. No desenho, ele destaca os olhos e o pênis do agressor. Ele escreve também "marica" e "chupa-rolas". O agressor falava isso enquanto o estuprava.

Isabel, 8 anos
Foi abusada sexualmente pelo pai. No desenho ela retrata o momento do abuso. O pai colocou ela em uma cadeira pra penetrá-la por trás. Na parte superior da imagem, ela retrata o irmão mais novo dela, que ficou vendo tudo acontecer pela porta.

Joan, 8 anos.
No desenho ele coloca o cara que estupro ele numa gaiola, fechada com um cadeado, e a chave (no canto superior direito) protegida por espinhos, pra ninguém conseguir pegar.

Marina, 5 anos.
Era abusada pelo pai, que também obrigava ela a assistir filmes pornô. No desenho, ela retrata um dos filmes que ela assistiu. Ela disse ao especialista que nesses filmes as pessoas "ficavam peladas e faziam coisa feia".

Ester, 9 anos
Ela desenhou a posição que tinha que ficar quando o seu pai abusava dela.

Toni, 6 anos
O especialista pediu pra ele desenhar o cara que abusou dele. Ele disse "é um monstro". Destacou o pênis ejaculando.

Andrea, 10 anos
Representou como eram os abusos, onde ela tinha que tocar o pênis do cara, e ele tocava a vagina dela. Ela ficou com vergonha de responder as questões do psiquiatra, e aceitou escrever as respostas no desenho, por isso os "sims" e o não.

Victor, 7 anos
Ele era obrigado, aos 4 anos de idade, a fazer sexo oral no seu pai. A linha que sai da boca dele e vai até o pênis do pai representa a sua língua.

sábado, 21 de setembro de 2013

YURI

O irmão mais velho de Yuri era a menina dos olhos da mãe e nunca fazia nada de errado. Frequentemente, eles ficavam sozinhos quando a mãe saía à noite para trabalhar num bar. Em sua ausência, o irmão de Yuri transformava-se de anjo em monstro, que aterrorizava os irmãos por meio de força física e violência. À medida que Yuri foi ficando mais velho, o irmão começou a separá-lo dos outros para abusar sexualmente dele. Isso se tornou rotina todas as noites em que a mãe saía para trabalhar. Yuri estava muito aterrorizado para revelar qualquer coisa, por medo da violência do irmão. Ele, então, se fechou no silêncio. Mostrava-se obediente, prestativo e sempre pronto para agradar. Nunca ficava com raiva e era extremamente dócil. Sob muitos aspectos, era um modelo de criança.
O que a mãe não sabia era que Yuri se sentia tão profundamente envergonhado que acabou se escondendo e se afastando dos colegas e de todas as atividades sociais. Ele se tornou muito estudioso e o que mais desejava era ficar em casa trancado em seu quarto, estudando ao computador. Yuri, porém, passou a ficar tempo demais no quarto, sobretudo depois das agressões sexuais. E não era para estudar. Yuri pegava uma lâmina de barbear e começava a ferir o pênis e os escrotos. Isso passou despercebido durante algum tempo, até que em uma noite sua mãe entrou no quarto e o viu desmaiado em meio a uma poça de sangue. Levado ao hospital às pressas, os médicos conseguiram salvar a vida de Yuri e sugeriram que ele fosse internado para passar por um tratamento psiquiátrico. Foi então que a mãe de Yuri veio a descobrir a extensão do abuso sexual que tinha acontecido por vários anos e o impacto que isso tivera sobre ele.

ABUSO SEXUAL EM CRIANÇAS
CHRISTIANE SANDERSON








quarta-feira, 18 de setembro de 2013

TOMAS

Tomas sempre idolatrara o pai. Para ele, tratava-se de um herói universalmente amado por todos e que tinha um certo status na comunidade como "um cara realmente legal". Quando Tomas tinha 15 anos, seu irmão mais velho lhe contou que o pai abusara dele a partir dos 6 anos de idade. Tomas se recusou a acreditar nisso. Não o seu pai, ele não seria capaz de fazer uma coisa dessas. Tomas continuou a não acreditar no irmão por muitos anos - até que um sobrinho e uma sobrinha revelaram que estavam sendo abusados pelo avô. Tomas não podia mais negar a realidade. Esse fato, porém, causou uma enorme ruptura entre os irmãos e a dúvida em contar a triste realidade para a mãe. Tomas acreditava que a mãe ficaria tão furiosa e enraivecida com o pai quanto ele estava, mas logo descobriu que ela, na verdade, já vira o marido abusando do neto e recusara-se a acreditar no que estava diante dos seus olhos. Desnecessário dizer que o mundo do Tomas caiu por terra, pois ele era então incapaz de acreditar em suas próprias percepções ou no relacionamento com a mãe ou o pai.

ABUSO SEXUAL EM CRIANÇAS
CHRISTIANE SANDERSON







quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Relato de uma menina.

"Comecei a ser usada quando tinha cerca de 7 pra 8 anos! Amava ir pra casa da minha vó todos os finais de semana, férias e feriado!
Na época meu tio mais novo tinha cerca de 17 pra 18 anos e começou a me molestar.
Eu como nova não entendia muito bem, achava que ele queria me namorar e deixava!
Foi ficando cada vez pior. Um dia, meu avô pegou ele passando a mão em mim e contou a minha vó, ela chamou minha atenção como se eu estivesse errada e ameaçou contar a minha mãe, mas como não queria fazer conflitos entre meu pai e o irmão, fiquei quieta! Conforme o tempo passava, percebia que aquilo era um vício, quando brincava com minhas primas, brincávamos de ficar passando a mão uma na outra, quando dormia na minha tia, dormia em uma cama com um primo da mesma idade, e ficamos molestando um ao outro.. e assim foi! Até que um certo dia minha tia por parte de mãe tinha uns amigos senhores, ela me levou junto com minhas primas até onde eles moravam, e novamente fui abusada. Eles abusavam e eu deixava, calada, pois pra mim aquilo não era ruim era prazeroso!
Tinha cerca de 10 pra 11 anos não entendia muito bem! Mas minha infância foi bem difícil, aos 14 anos tive meu primeiro namorado, foi minha "primeira vez", confesso que foi horrível, mas foi a porta pra me tornar mais ambiciosa por sexo! Só me senti liberta quando comecei a buscar através da FÉ, em 2011. Me considero curada e liberta fisicamente e emocionalmente!" (Relato de uma menina - 2013 - Vic.)

"O corpo humano responde aos estímulos recebidos, bons ou maus. Muitas crianças sentem prazer durante o abuso sexual, o que é natural em termos de excitação fisiológica, ou resposta do corpo frente a um estímulo, e não significa que a criança queira ser sexualmente abusada e nem que ela está apreciando e gostando do abuso sofrido.
Os meninos podem ter ereções e meninas podem ter lubrificação vaginal, não só pelo prazer frente ao estímulo, mas também como reflexo do medo que sentem.
Mas, as crianças não entendem dessa forma e geralmente acreditam que o abuso é culpa delas. As crianças mais velhas, podem até sentir orgasmo como resultado do abuso, o que as faz ainda mais envergonhadas e mais culpadas.
Os abusadores sexuais usam esse sentimento de culpa e vergonha das crianças como forma de controlar a criança e desencorajá-la a denunciar o abuso.
Pois manipulam a criança fazendo-a acreditar que foi ela quem quis esse contato sexual porque teve prazer com ele.
A criança com isso sente-se traída: traída pelo abusador, traída por seu corpo responder aos estímulos e traída por si mesma por "concordar" com o abuso sexual." Drª Magda Gazzi

Quando sofremos abusos, são gerados transtornos em nossa mente. Buscamos prazer demasiado em sexo, alguns nas drogas, álcool e etc.. Sempre tentando fugir daquilo que um dia bateremos de frente, ou seja, o tempo que passar, se não tratarmos e buscarmos a cura emocional, a vida se encarregará de nos parar. Quem determinará o que será feito do problema, será você!! Ninguém fará isso por você. Terapia e muitas coisas podem ajudar sim, mas você será o grande arquiteto da construção dos novos alicerces de sua vida!! Tome as rédias da sua vida, faça a diferença hoje!! C.M.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Depoimento da "SEM NOME"

Oi, Bya. Como não achei nenhum pseudônimo que gostasse, resolvi por esse mesmo. Mesmo porque o nome é o que menos interessa. Sou uma mulher de mais de 40 anos e fui abusada pelo meu pai na infância e adolescência. É claro que não foi por minha vontade e sim, com muita violência e ameaças. Li os depoimentos do blog e percebi que todas as mulheres mais velhas tiveram o mesmo problema além do medo intenso: não ter para quem recorrer. Aliás, faço parte faz anos da sua comunidade e acho que nem mesmo hoje se pode fazer alguma coisa.
Minha mãe e família sabiam de tudo e culparam a mim. Quem manda ter um corpo bonito e, segundo muitos, ser atraente? Corpo bonito na juventude, pois engordei mais de 30 quilos para meu pai não me querer mais. E ele não quis. Deve ter achado outra, mas até hoje sou a culpada. Vi que não fui a única a usar desse artifício.
Não preciso falar das consequências: vários tipos de fobias, problemas físicos e emocionais. Mas o pior é o que comecei a sentir agora, em plena maturidade. Raiva, ódio, ressentimento, mágoa e desespero. Desespero de ter visto a minha vida fluir entre os meus dedos. Impotência de tentar recomeçar com quase 50 anos. Mágoa e ódio de ver que toda a família se deu bem e eu, por um capricho do destino, não pude estudar e nunca soube o que é amor. Mesmo numa relação sexual, nunca senti muito tesão...não sei o que é orgasmo. Não é justo!!!!!!!!!!!!!!!! 
Meu pai abusava de mim constantemente. De mim e da minha irmã. Só que ela aceitava o fato e eu era a rebelde. Ela recebeu tudo e eu nada (materialmente falando). E o mais triste é que a minha mãe a ama profundamente, pois é a coitadinha e a mim ela renega, pois eu fui a concorrente. Concorrente? Como?
Bya, você me conhece o suficiente para saber o quanto eu lutei para não sucumbir. E sabe que não sou nenhuma revoltada, que trabalho pra caramba e que luto para alcançar nem que seja um pouco da tal coisa que chamam de felicidade ou paz de espírito. Mas resolvi seguir o seu conselho e vomitar toda a dor e mágoa que estou sentindo. A partir de agora NÃO SOU MAIS UMA FILHA DO SILENCIO. Dei o meu grito e me sinto bem melhor e mais aliviada. Hoje sei que nunca fui vadia, ao contrário de muitos da minha família. Me dou mais valor pois nunca me vendi, assim como tantos outros. E não desisti de estudar e de encontrar um amor, de ser "normal". Agradeço esse desabafo a toda comunidade, pois vendo a força de tantos, consegui a minha para por no papel esse desabafo. Talvez, se eu tivesse sido forte no passado, teria uma vida. Agradeço a você Bya, mesmo sabendo o quanto você odeia agradecimentos. Acho legal você não vender sua imagem para revistas ou programas de TV. Não vale a pena. O que vale a pena é saber que somos honestas conosco mesmas e que lutaremos para que outras pessoas também desabafem. E sintam o alívio que senti ao escrever esse texto. Como puxar o tampo de ralo de uma banheira lotada de merda até a borda. Sei que antes de enche-la novamente com água limpa é preciso limpa-la bem. Mas vale a pena todo o trabalho, ou seja, toda a dor. E espero um dia te mandar um relato de superação, me sentindo vitoriosa e não arrasada.




domingo, 4 de agosto de 2013

O Círculo / Bya Albuquerque

Toda vez que eu recebo um depoimento, seja para postar no blog ou não, somente o leio uma única vez. Até os meus. Aliás, não preciso reler, pois todos têm pontos comuns. Ou seja: é um círculo. Sem começo e sem fim. As nossas histórias são diferentes e iguais. Diferentes no seu desenvolvimento e parecidas no final. A igualdade está na falta de solidariedade, no tabu pré-concebido e na omissão social. Omissão social, mas como?...vocês perguntariam. A resposta é simplesmente que sim. Já repararam nos posts das comunidades? Uns somente postam (repassam) textos de terceiros; outros são altamente sensacionalistas; outros se escondem atrás de posts bonitinhos e de auto ajuda. Pouquíssimos comentários. Quase nenhuma opinião. Zero de discussão. E é logico que eu e a minha comunidade estamos nessa estatística.
Poucos tentam realmente mudar a situação. Mas é praticamente impossível. Dói ver quando uma celebridade sofre um revés e todos sentem pena e todos são solidários. Mas a população não é composta por celebridades. É composta por seres humanos comuns. Seres humanos sedentos por compreensão...justiça...aceitação. A grande maioria sem atendimento médico / psicológico. Com dores físicas e emocionais.
Vou falar um pouco da Comunidade "Filhas do Silêncio". Nós, filhas e filhos do silêncio sofremos o abuso sexual numa época onde até o sexo era tabu, quanto mais a violência sexual, principalmente a intrafamiliar. Sofremos em silêncio e, além de sermos agredidos, também éramos abandonados a própria sorte. Fomos humilhados pelo nosso jeito de ser, o que hoje seria chamado de bullying. Muitos cometeram suicídio, voluntário ou involuntário. Aqueles que conseguiram sobreviver, sofrem de depressão...auto mutilação...baixa estima...várias fobias...problemas com sono...dependência química...transtornos alimentares. É um círculo. O emocional causa danos físicos e os físicos causam problemas emocionais. 
Não posso falar pelos outros. Apenas os represento em certas situações. Mas posso falar por mim. Eu era aluna excelente, pois adorava estudar. Porém na adolescência fui uma aluna totalmente medíocre. Por falta de sono, pelo terror / medo sempre vividos e pelo bullying sofrido (inclusive pela minha própria mãe), perdi o interesse pelos estudos ou melhor, não conseguia mais me concentrar. Abandonei-me totalmente. Me alimentava mal, não conseguia dormir ou descansar e praticava auto mutilação que beirava a auto punição. Mas punição pelo que? Por meu pai sentir tara por mim, por minha mãe me ignorar? Tudo isso foi muito cruel...brutal. Não somente para mim. Continua sendo cruel e brutal para muitos.
Vi o meu potencial rebaixado e deixei isso acontecer. Deixei as pessoas pisarem em mim e fiquei e muitas vezes ainda fico calada. Aos 46 anos,sinto-me velha e inútil. É como se não houvesse mais nada para mim. E sei que não compartilho esses sentimentos sozinha. Muitos de nós, vítimas de violência sexual e psicológica / emocional sentimos-nos enterrados vivos.
Porém quantos sonhos eu tive e quantos sonhos precisei enterrar. Quando era adolescente, como não conseguia dormir, ficava sonhando acordada com uma família ideal. Não aquela que me desse tudo materialmente, mas aquela que me amasse, que desse apoio aos meus sonhos. Depois, veio a fase de querer intensamente um irmão mais velho. Aquele que mesmo que implicasse comigo, ao mesmo tempo me amasse e protegesse. Um irmão para quem eu fosse importante e querida...Hoje em dia, o meu maior sonho é dormir. Sem remédios...sem ansiedade...sem sonhos. Ou então, pelo menos em vez de quando, ter um sonho bom...bonito...reconfortante. Mas esses são meus sonhos pessoais, íntimos e, que, dificilmente ou nunca se realizarão. Não por eu ser pessimista, mas sim por ser realista.
Mas na verdade, o que eu quero é que num futuro próximo esse círculo dos abusados sexualmente se rompa. Trazendo à tona ajuda, solidariedade e aceitação / compreensão. Que jamais novamente um abusado precise provar que foi uma VÍTIMA!!! E não estou sendo sonhadora. Nesse ponto estou sendo esperançosa...pois ainda acredito na humanidade e na sua capacidade de entrega e superação.

Bya Albuquerque, Ribeirão Preto, 05 de agosto de 2013.









terça-feira, 30 de julho de 2013

Segundo Depoimento / Bya Albuqueque

Tenho recebido várias propostas e pedidos para escrever um depoimento com o que aconteceu nesses anos, após eu dar o meu "grito" e deixar de ser uma filha do silêncio. Eu nunca fiz essa análise, mas realmente, ao mesmo tempo que é interessante fazer uma reflexão, dá medo só em pensar no sofrimento.
Sofrimento? Sim e muito. 
Acabei fechada num mundo virtual, com amigos (queridos), porém virtuais. Antes, eu já estava com fobia social, mas conseguia controla-la. Agora, ela está forte demais e mal saio de casa. A depressão continua e a baixa estima também. Piorou a insônia e o transtorno alimentar é fortíssimo. A solidão pesa demais...e o tabu e a incompreensão das pessoas continuam.
Quando resolvemos sair de Porto Velho, em vez de voltar para São Paulo, resolvi morar em Ribeirão Preto, cidade que adoro. Mas o meu marido mora e trabalha em São Paulo, fato que desestruturou a família. Por que não voltei para São Paulo? Talvez pela falta de solidariedade de muitos amigos e familiares, principalmente por parte do meu marido. Para eles era e é vergonhoso eu ter me aberto e manter a comunidade. Nunca, nenhum deles me procurou e perguntou como estou...se estou resolvendo a minha parte emocional...ou me estendeu a mão. Para uma vítima de abuso sexual isso é muito duro, pois as pessoas esquecem que você foi e é a VÍTIMA. Não que a família do meu pai seja diferente. Na verdade é muito pior, pois continuo sendo o segredo sujo da família e acobertam um psicopata que foi o meu pai. A história com a minha mãe e irmã é mais sórdida ainda: elas se recusam a acreditar. Sou mãe e sei o que é amor materno. Ele é incondicional. Esse amor sempre foi-me negado. O pior é a minha irmã, que não enxerga que ela é o que é hoje graças ao meu sacrifício. Não precisava agradecer, mas pelo menos reconhecer. Todos esquecem de um fato real e muito triste: o abuso sexual não escolhe a classe social...o nível intelectual...a crença religiosa. Somente quem passou por essa violência, entende bem do que estou falando. 
A Comunidade vai bem. Cresceu bastante e hoje, além dos dois blogs, tenho uma página, três perfis e três grupos no facebook. Sem falsa modéstia, sei o quanto consigo ajudar, mesmo que seja pouco. Faltava alguém para dar o primeiro passo para falar sobre o passado e muitos me seguiram. Não sem pagar o preço alto do sentimento de vergonha e impotência. Sem falar do preço alto que pago por me expor. Muitos fazem a prevenção contra pedofilia...poucos são os que estendem a mão às vítimas mais velhas. E muitos...muitos mesmo, que fecham os olhos para o problema ou se aproveitam politicamente falando. É uma lástima.
A grande maioria das pessoas acham que nós, os abusados, vivemos do passado. Pode até haver uma minoria...mas eu por exemplo não penso no abuso ou no meu pai, apesar de sonhar com ele todas as noites nas poucas horas que durmo. Todos dizem: sai dessa cama...sai dessa depressão. Esquecendo que depressão é uma doença SIM e que eu não resolvi viver reclusa.
Mas também muita coisa boa aconteceu. Conheci pessoas maravilhosas, das quais recebo afeto que até me deixa sem graça, pois não sinto-me merecedora de tanto carinho e confiança. Ou talvez tenha esquecido o que era isso, tamanha a violência emocional que vivi.
Pretendo continuar com o meu jeito de ser e ajudar. Não quero um site ou montar uma ONG. Não quero entrevistas, homenagens e nem vou aceitar entrar para a política, porque para mim mais importante que a multidão, é a pessoa em si. E a cada uma que consigo confortar, ao mesmo tempo também sou confortada. E isso basta-me...Não posso dizer que sou feliz ou realizada, mas com certeza digo que não fico parada e tento colaborar para um mundo melhor. Trabalho de formiguinha, mas sempre em frente. Infelizes daqueles que viram a cara e escondem as mãos, já que colhemos somente o que plantamos. E sabemos que falar no fim da violência sexual é uma utopia...seria o mesmo que falar do fim da corrupção...violência urbana...ou uso das drogas.
E assim que estou no momento: uma mulher de 46 anos, um tanto desiludida, porém feliz com a maturidade que chegou e feliz com o seu trabalho, mesmo sendo voluntário. Aprendi nesses anos que cada coisa que dá errada, é um aprendizado. Que cada pessoa que te decepciona ou sai da sua vida, também é um aprendizado. E quem sabe, daqui a alguns anos, posto outro depoimento, com esperanças mais elevadas e menos desilusão em relação às pessoas.
Bya Albuquerque...Ribeirão Preto...30 de julho de 2013.





segunda-feira, 15 de julho de 2013

TEXTO DA AMIGA ELZA AUGUSTA DE OLIVEIRA

As pessoas julgam as forças umas das outras baseando-se naquilo que elas mesmas são capazes de suportar. Poucos se dão conta que cada um de nós tem seu limite e que este não pode ser comparado com o de mais ninguém.
Uns suportam mais heroicamente o sofrimento, outros se entregam e morrem devagarinho como se o mundo tivesse acabado. E a um e a outro Deus criou.
Somos infinitamente mais capazes do que pensamos, mas enquanto ignoramos essa verdade, somos o que somos sem sermos mais ou menos que ninguém. 
Classificar alguém de fraco porque este não suporta a dor física, moral ou emocional é cometer uma grande injustiça, pois cada um vai até onde seus limites permitem e é devagarinho que as pessoas vão descobrindo que as asperezas da vida nos tornam pouco a pouco mais fortes e resistentes.
Seguimos até onde devemos seguir e quando cremos que as forças nos abandonam é que o Senhor nos pega nos braços e nos ensina a voar. Vemos então horizontes que não podíamos alcançar com nossa visão plana e direcionada geralmente àquilo que nos fazia tanto mal.
Somos o que somos sim e que ninguém nos diga pequenos e falhos! Alcançamos tudo o que está ao alcance das nossas mãos e o mais o Senhor nos dá através da nossa fé que, mesmo limitada, nos torna seres ilimitados.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

"A VIOLÊNCIA VEM DE ONDE MENOS SE ESPERA"

Não é só no Vaticano que a Igreja Católica vive às voltas com denúncias de escândalos sexuais. Em Niterói, a Polícia Civil vai indiciar um padre por estupro de vulnerável. Ele teria abusado de uma menina, hoje com 10 anos, quando ela ainda tinha 7 anos.
Mas não foi só: de acordo com depoimentos prestados na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Niterói, Emilson Soares Corrêa também manteve relações sexuais com outra menor, sua afilhada e irmã da outra vítima, desde quando ela tinha 13 anos. Emilson, de 56 anos, era o responsável pela paróquia da Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, no bairro do Cubango. Uma das vítimas era coroinha da igreja e foi batizada, aos 13 anos, pelo padre, que também foi o padrinho de batismo. A partir do batizado, "O padre passou a aliciá-la e tocá-la em suas partes íntimas em troca de presentes como sorvetes, chocolates e passeios", conforme relatou a vítima, hoje com 19 anos, à polícia. A reportagem teve acesso a um vídeo, feito pela vítima, que mostra Emilson fazendo sexo com uma adolescente em plena casa paroquial. Segundo a vítima, que armou a situação para denunciar o padre, a garota teria 15 anos. A denúncia foi levada à delegacia pelo pai das meninas. Segundo ele, foi sua ex-mulher que flagrou a filha mais velha discutindo com o padre. Na ocasião, ela revelou à mãe que se relacionava sexualmente com o padrinho. - Quando soube que minha filha mais velha estava sendo abusada, perguntei à mais nova se havia ocorrido algo com ela. Ela disse que durante um passeio a um sítio, quando tinha sete anos, o padre tocou em sua partes íntimas - contou ele. Envolvimento emocional Em petição enviada à delegacia, Emilson confessa ter mantido relações sexuais com a mais velha das duas irmãs, mas só a partir de quando ela completou 18 anos. Segundo o texto, ele "se sentiu envolvido emocionalmente" com a menina. A delegada Marta Dominguez, que abriu o inquérito, explica que a denúncia só leva em consideração o estupro da irmã mais nova. Segundo ela, o caso da outra menina não se enquadra no crime: a vítima já tem mais de 14 anos, e não ficou provado que houve ameaça. Sacerdote é suspenso pela Arquidiocese Diante da denúncia, a Arquidiocese de Niterói informa que decidiu pela "suspensão temporária do sacerdote". Atualmente, o padre não é responsável por nenhuma paróquia. O órgão também alegou, em nota, que a acusação está sendo investigada e que "o próprio sacerdote levou a denúncia ao conhecimento do Ministério Público, para que apure a veracidade ou não da mesma". A delegada Marta Dominguez disse que só aguarda um depoimento do pai das vítimas para encerrar o inquérito. O padre foi procurado em quatro números de telefone - inclusive aqueles citados em seu depoimento - mas não foi encontrado. ‘Pode haver estupro, mesmo sem sexo’, diz delegada Marta Dominguez Qual denúncia será oferecida ao Ministério Público? Ainda falta fechar o inquérito. Quero ouvir o pai das vítimas mais uma vez. Mas, em relação à irmã mais nova, houve estupro de vulnerável. No caso da mais velha, não é possível enquadrá-lo no crime. Por quê? Não há nenhuma prova que o padre tenha ameaçado ou violentado ela. Sem contar que ela afirma, em depoimento, ter filmado o padre fazendo sexo com ela quando já tinha mais de 18 anos. O padre compareceu à delegacia para depôr? Ele não depôs, mas no dia 12 de dezembro enviou uma petição confessando que havia feito sexo com a irmã mais velha, mas só quando ela já era maior, depois de 2012. Ele pode ter feito sexo com a irmã mais nova? Ela fez exame de corpo de delito e, no resultado, comprovou-se que ela ainda é virgem. Mas o relato da menina, em que ela afirma que o padre tocou em suas partes íntimas, já basta para a concretização do crime. O flagrante O pai das vítimas, em depoimento, diz que armou com a filha o flagrante do padre: ele afirma que "determinou que sua filha mantivesse relação sexual com o acusado e filmasse com o telefone celular". A filmagem No vídeo, filmado pela vítima, já com 19 anos, uma menina faz sexo com o padre na casa paroquial, nos fundos da igreja. Ao fundo, é possível ver uma reprodução da Santa Ceia. Segundo o denunciante, a menina que aparece no vídeo teria 15 anos. A confissão O pai das duas vítimas afirmou, em depoimento, que, no dia 22 de novembro do ano passado, chamou o padre em sua casa e, exigindo explicações, mostrou o vídeo. Ele relata que, na ocasião, o padre pediu perdão. Na Arquidiocese Em seu depoimento à polícia, o pai das vítimas também conta que levou o vídeo ao arcebispo de Niterói, Dom José Francisco Rezende Dias para que fossem tomadas providências em relação ao caso. Segundo o relato, o arcebispo estava acompanhado de dois advogados na ocasião. No final do diálogo, na saída da Arquidiocese, o pai afirma que "percebeu que estava sendo seguido por dois homens que se encontravam no local". No Vaticano Segundo o jornal italiano "La Repubblica", o Papa Bento XVI, que já anunciou sua renúncia para o mês de março, teria decido deixar a Igreja depois de receber um dossiê de mais de 300 páginas com detalhes de práticas de corrupção, promiscuidade e o mapeamento de uma rede de prostituição homossexual dentro do Vaticano. VatiLeaks Em janeiro de 2012, partes do documento já haviam sido roubados no episódio conhecido como VatiLeaks. A expressão é uma comparação com o fenômeno Wikileaks. 

http://extra.globo.com/casos-de-policia/padre-emilson-acusado-de-estupro-vai-responder-por-atentado-violento-ao-pudor-8416438.html

terça-feira, 2 de julho de 2013

RELATO DE UMA VÍTIMA DE ABUSO SEXUAL DOMÉSTICO / Maria, 35 anos, empresária – Recife-PE

...Não sei ao certo quando começou, aliais fiz questão de esquecer.
Tinha mais ou menos 10 anos de idade. Era de manhã quando brincava pela casa, subi no 1º andar, meu irmão (nove anos mais velho   estava deitado em uma cama de campanha, me chamou e pediu para que eu tirar (espremer) espinhas que ele tinha nas costas.  Ele estava de, short, sem camisa, espremi 02 ou 03 espinhas meio sem jeito e ele me pediu para fazer o mesmo em mim. Disse-lhe que não tinha e ele me pediu para ver, insistindo. Eu permiti. Percebi que ele desceu a mão e alisou por  entre as minhas pernas de maneira rápida. Eu me assustei e aproveitei algumas pessoas falando e corri enquanto ele dizia: “Peraí, peraí, vem cá!”. Desci os degraus mais que depressa quando cheguei em baixo, minha irmã (seis anos mais velha) foi entrando em casa e eu resolvi que ia contar tudo a Ela. Não consegui, as pernas tremeram, esbarrei em minha timidez, fiquei com medo de que achasse que eu o tinha provocado.  TIVE  MEDO! Ai começou meu inferno que dura até hoje.
Em 1972, após 21 anos de casamento e 9 filhos meus pais se separaram, sou a oitava. Três (03) ou quatro (04) anos depois passei a trabalhar para ajudar minha mãe. Ela dizia que os filhos eram o maior transtorno da vida dela. Tenho certeza até hoje de carregar um complexo de culpa muito grande, junto com o de rejeição. Naquela época eu muitas vezes trabalhava sozinha em cima de um banco para poder ficar maior e atender melhor os clientes. Minha vida era da escola para loja e da loja para casa almoçava muitas vezes dentro da loja como lá também fazia os meus deveres, de casa. Não tinha brinquedos, não me permitiam ter amigos ou colegas, pois poderiam me colocar contra minha mãe, senhora absoluta e ditadora de normas e regras. Meu único divertimento quando ela me deixava era assistir TV. Minha mãe inventou de estudar à noite para encobrir seu comportamento pornográfico para uma Empresária, mãe de 09 filhos que muitas vezes varava a noite em boates de quinta categoria - e eu a via chegando as 5:30hs. da manhã, na hora que eu estava indo para missa levar minha tia que morava conosco.
Minha vida tornou-se um inferno quando meu irmão então envolveu-se com roubo de toca-fitas e arruaças em um Estado vizinho, ele foi preso, não sei quanto tempo ele passou. Acho que não chegou há 01 mês, ele voltou e começou a me perseguir à noite, quando as pessoas dormiam. Ele vinha se chegando, começava a pegar nos meus peitos, passava a mão em minha bunda, introduzindo o dedo em meu ânus fazendo eu masturba-lo.  Em seguida ele se trancava no banheiro e lá passava horas, com umas revistas  de sacanagens.  
0 meu relacionamento com minha mãe era um abismo. Ela queria a liberdade e os filhos eram naturalmente um empecilho ao processo que ela queria vivenciar. Nunca recebi nem uma forma de carinho dela,  e não a perdôo pelo "presente de grego" que ela me proporcionou, para que sobrasse dinheiro para suas “putarias", farras e para gastar "com bebidas e homens. Ela permitiu que o verme do meu irmão dormisse em minha cama.
Desejei tantas vezes morrer. Não sabia como se engravidava, as vezes achava que estava grávida só por ele colocar o dedo em meu ânus. Bloqueei todos os tipos de reação ou sensação que isso pudesse causar. Me sentia suja, imunda, nojenta, achava que só ao olhar para mim as pessoas iriam descobrir. Entristeci-me para vida, para o mundo. Minha Mãe ocupada demais para qualquer coisa inclusive para se dar conta que meu irmão era um pervertido e na calada da noite até mesmo com ela dormindo na cama ao lado ele me molestava.
Em uma das noites malditas, esse pervertido foi mais além: introduziu seu pênis em meu ânus, aumentando mais ainda minha re- pulsa, minha revolta e o nojo que sentia de mim mesma.
Durante todo o tempo que isso aconteceu não existia diálogo, ele simplesmente atacava-me nas portas da geladeira, do banheiro ou vendo TV e o mais cruel era saber que na cama ao lado dormia minha mãe, que ela consentia ele dormir  comigo em uma cama de solteiro.
Tentei inúmeras vezes criar coragem para falar pois sempre tive a certeza que minha mãe não iria acreditar. Estava certa.
Quando eu tinha  19 anos ela soube e disse: “Não acredito que houve isso e se houve foi culpa sua”.  
Um certo dia houve um surto de doença venérea entre meus irmãos e foi assim que eu mesma passei toda vez que ele chegava eu repetia continuadamente: doença venérea, doença venérea, doença venérea... até ele sair de junto de mim. Parece que isso lhe dava medo e ele só respondia: “Cala boca, não fale isso, eles vão descobrir. "
Sinto-me hoje melhor de poder dividir em palavras escritas, como foi que tudo aconteceu, sabendo que este fato pode ajudar outras pessoas a se livrarem, se libertarem do abuso sexual.
Eu queria ter sido uma criança, uma adolescente e uma adulta normal, sem precisar ter passado por isso. Estou recomeçando a minha terapia, pois tornei-me uma pessoa agressiva e incrivelmente defensiva ao- ponto de dificultar minhas relações sociais e amo- rosas. Minha maior revolta e ver que até hoje passados 25 anos minha mãe continua acolhendo-o  e ele continua aliciando menores, meninos e meninas com menos de 10 anos de idade, que como eu cedem por medo ou sei lá o que, e  satisfazem os prazeres sórdidos de um aliciador profissional.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Depoimento da Ângela Chaves

'Estava presa naquilo', diz mulher que relata 10 anos de abusos em livro

"Uma noite ele me deu um beijo na boca, perto da mãe, que estava cozinhando. Ela estava de costas. Isso eu sei que ela não viu. Fiquei paralisada, com nojo e com medo". O relato está presente no livro "Lágrimas de Silêncio", lançado pela escritora Ângela Chaves. Aos 49 anos, casada e mãe de cinco filhos, a estudante de sociologia conta a história de horror que viveu dos 7 aos 17 anos, quando foi constantemente abusada pelo pai e pelo irmão mais velho.

A pedofilia é mais comum do que se imagina. A cada dia são 11 novos casos de menores vítimas de crimes sexuais no Rio Grande do Sul. Infância roubada geralmente por alguém muito próximo. Em 90% dos casos de abuso, um familiar, vizinho ou amigo está envolvido. Nos quatro primeiros meses do ano, 1,2 mil crianças e adolescentes foram vítimas no estado, como mostra a reportagem do Bom Dia Rio Grande, da RBS TV (veja o vídeo).

A escritora conta que o pai era violento. Ele a fazia ingerir bebidas alcoólicas até ficar embriagada e a obrigava a ter relações sexuais com ele. "Eu chorava, eu apanhava, eu tentava gritar. Ele me batia muito", relata. Por isso, seu objetivo com o livro é alertar para um perigo real e que pode passar despercebido. "Eu tive que ir aceitando o que a vida ia me dando sem poder escolher. Então eu não quero que outras meninas passem por isso", reforça.

Em meio a esta triste história, a mãe de Ângela se omitiu. Assim, aos 15 anos ela teve uma filha do pai e, aos 17, outra do irmão. Sua única saída foi fugir de casa. Quando conseguiu, não teve amparo e precisou se prostituir. "Eu já me perguntei isso, por que eu não tive força pra reagir. Eu estava presa naquilo ali", desabafa.
Ângela acredita que os estragos causados pelo horror que enfrentou são permanentes. Ela faz tratamento psiquiátrico há oito anos para combater a fragilidade emocional e se reestruturar. "Eu estou reconstruindo minha vida. Já faz tempo que eu venho juntando os cacos", comenta. Depois de escrever o livro, passou a dar palestras para ajudar outras vítimas de abuso sexual.

Psicóloga descreve sinais da pedofilia
Crianças e adolescentes que são vítimas de abusos sexuais geralmente sofrem em silêncio. Para a psicóloga Suzana Braun, é importante que os pais fiquem atentos a sintomas na rotina e no comportamento dos filhos. "Pesadelos à noite, baixo rendimento na escola, não querer ficar sob o cuidado de outras pessoas podem ser sinais", exemplifica.


Os abusadores geralmente sofrem de um transtorno sexual, chamado parafilia, e não param no primeiro ataque. Na maioria das vezes, os casos levam de 6 a 10 anos para serem descobertos.

A psicóloga alerta para os mitos existentes em torno da violência sexual. "Se diz que criança mente, que criança inventa, que criança fantasia", pontua. Suzana defende a necessidade de se criar um olhar de diagnóstico. O primeiro passo seria acreditar nas crianças e então buscar as informações necessárias para responsabilizar ou não o suposto agressor.

Como denunciar o abuso sexual
Hoje, o Rio Grande do Sul conta com 16 delegacias especializadas no atendimento à criança e ao adolescente. As denúncias também podem ser feitas pelo serviço Disque Denúncia Nacional, o Disque 100.


http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/questoes-de-genero/265-generos-em-noticias/19095-estava-presa-naquilo-diz-mulher-que-relata-10-anos-de-abusos-em-livro