Nossas Histórias

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terça-feira, 20 de maio de 2014

Empresário relata em livro os abusos sexuais sofridos durante a infância / Autor: Vilmara Fernandes | vfernandes@redegazeta.com.br

"Perdi a vergonha e o medo de falar. O silêncio é o melhor amigo da pedofilia", afirma Marcelo Ribeiro.


Foi preciso quase três décadas para que o empresário paulista Marcelo Ribeiro tomasse coragem para falar sobre o abuso que sofreu na infância. O professor e maestro de um coral católico - o homem que mais admirava - o agrediu dos 12 aos 16 anos. Um trauma que ele escondeu de todos e de si mesmo até os 42 anos. Foi o medo de perder a mulher que amava, e que se afastava diante das atitudes que ela não entendia, que o motivou a romper o silêncio. “Minha forma de agir era resultado das sequelas do que tinha vivido”, relata. Falar o ajudou a compreender o passado e hoje o estimula a lutar contra o mal que ainda ameaça tantas crianças. “Perdi a vergonha e o medo de falar. O silêncio é o melhor amigo da pedofilia”, assinala Ribeiro, autor do Livro “Sem medo de falar”. 

O que o motivou a tornar público o drama de ter sofrido abuso na infância?
Foi somente aos 42 anos que consegui falar que tinha sofrido abuso sexual na infância. Quando percebi que as sequelas que carregava afetavam a relação com minha mulher e isto ocorreu num momento em que estamos tentando nos reconciliar. Ela não conseguia me compreender ou as minhas atitudes, que não condiziam com a minha personalidade. Atitudes que, certamente, eram sequelas de tudo o que tinha vivido. Não queria perdê-la e isto me estimulou a falar, pela primeira vez, sobre o que tinha vivido: fui abusado na infância. A partir deste momento e até escrever o livro, houve um processo de compreensão real do que tinha acontecido.

Você passou 26 anos sem falar sobre o que tinha acontecido?
Joguei no esquecimento e jamais falei sobre o assunto. Foi a proteção que busquei porque tinha muita vergonha de tudo o que aconteceu. Era muito pesado. Até os 42 anos não tinha refletido sobre o assunto, não sabia nem que tinha sido vítima de um pedófilo. Mas a partir do momento em que falei, houve um processo de compreensão, me tornei mais consciente. Houve momentos de raiva, mas com ajuda da minha esposa, pude organizar as lembranças, compreender e entender que tinha sido vítima de abuso sexual, que tinha sido vítima de um pedófilo.

Como seus pais e irmãos reagiram? 
Foi difícil para os meus pais, que estão na faixa dos 80 anos. A primeira reação é de raiva, mas num segundo momento tentaram entender o que aconteceu. Há também um sentimento de culpa. E para minha mãe foi ainda mais difícil porque o que me aconteceu foi sob o manto da Igreja Católica e ela sempre fui muito fiel, uma beata... Meus irmãos sentiram demais. Uma de minhas irmãs, inclusive, vestiu a roupa do combate a pedofilia. Quando tudo veio à tona eles também compreenderam certas atitudes minhas no passado. A verdade, como disse minha irmã, sempre coloca as coisas no lugar. Todos me apoiaram muito na decisão de fazer o livro.

Como aconteceu o abuso?
Aos 9 anos entrei para um coral da catedral de minha cidade, no interior de Minas Gerais. Logo depois da escola ia para o coral e só voltava no final do dia. O maestro era um religioso nomeado pelo arcebispo. A forma dele ensinar música seguia os padrões dos colégios católicos, com uma disciplina muito rígida, com muitos castigos físicos: tapas no rosto, croques na cabeça (cascudos). Para conquistar uma obediência absoluta ele utilizou de violência psicológica e física para dominar as crianças que estavam a mercê dele. As lembranças do primeiro abuso são aos 12 anos, mas isso aconteceu até os 16 anos.

Após o primeiro abuso, não conseguiu relatar a seus pais?
O maestro era meu tutor, professor, herói, pessoa a quem admirava muito. Nunca imaginei que ele faria algo errado. Então quando fui vítima, fiquei sem compreender o que tinha vivido. Naquela idade ainda não tinha compreensão do que era sexo. Era uma situação dúbia: se o que tinha acontecido estava errado, estaria contando o que não deveria ter feito, por outro lado, se é o professor que tinha feito, como poderia estar errado?

O que te deu força para enfrentá-lo aos 16 anos, após anos de abuso? 
Com o passar dos anos fui tendo uma consciência maior da minha situação. Naquela época morava com ele e outros adolescentes em uma outra cidade. Fui passar férias na casa dos meus pais e vi que as pessoas não viviam na prisão em que eu vivia. O somatório da busca pela liberdade com a consciência de que estava sendo abusado me deu forças para enfrentá-lo. 

Como foi voltar para casa, em silêncio?
Não foi uma convivência normal. Voltei preconceituoso, agressivo, intempestivo, com acessos de fúria. Estava sempre armado, com a sensação de que tinha que me proteger das pessoas. Assim que voltei para casa fui para a capital (Belo Horizonte), estudar. Retornei dois anos depois, mas as sequelas do segredo que escondia tornavam a convivência com meus irmãos muito difícil. 

Durante o resgate de seu passado, descobriu que outros colegas também tinham sido abusados. 
Até os 42 anos achava que tudo aquilo só tinha acontecido comigo. A partir das minhas reflexões e recuperando a memória, percebi que outros também foram abusados, o que pude confirmar quando fiz contato com alguns amigos da época. A partir daí, analisando o que aconteceu, sei que o maestro continuou abusando de outras crianças, e talvez ainda abuse.

Teve vontade de se vingar?
Lógico. A primeira sensação é de raiva, de fazer justiça com a próprias mãos, principalmente quando descobre que o crime prescreveu, que a Justiça não tem como fazer justiça. Minha mulher foi fundamental neste processo, ao me ajudar a pensar com uma consciência mais elevada, a compreender a humanidade do abusador, e o que leva uma pessoa a isto, até para conseguir perdoar, mesmo sem aceitar. 

Você faz críticas à legislação.
No sentido de conscientizar de que a legislação precisa melhorar. Já houve avanços quando a nadadora Joana Maranhão denunciou os abusos sofridos aos 9 anos, praticado por seu técnico. A lei melhorou um pouco, principalmente no caso da prescrição, mas os casos de abuso são formadores de trauma e, geralmente, a pessoa não é capaz de falar sobre o assunto a vida inteira. Então, este tipo de crime não pode ter prescrição, não por causa da punição dos casos que já ocorreram, mas para que a sociedade possa proteger as crianças hoje. É um dos nossos grandes desafios.

O combate à pedofilia se transformou em sua bandeira.
Nós sabemos que é difícil falar sobre este tipo de crime, que é formador de estigma. A sociedade o vê como tabu e quando alguém fala, as pessoas viram as costas, preferem imaginar que não ocorrerá com elas. A minha necessidade de falar é maior no sentido de acabar com o silêncio, com o seu estigma, de expor o abusador. E quanto mais se falar sobre o assunto, mais fácil será para as vítimas compreenderem o que acontece quando ela for vítima, saberá o que falar. O problema é que a pedofilia só é discutida entre adultos, é difícil falar sobre isso com as crianças. Mas a partir do momento em que o assunto for debatido na escola, que as crianças puderem compreender o que é a pedofilia, aí teremos uma sociedade mais protegida contra os abusadores.

Quais dicas dá para os pais?
Lembro, de quando era criança, de minha mãe me orientar a ter cuidado com tarados na rua. A visão das pessoas é de que o abusador é um estranho que vai pegar seu filho a força. O histórico dos abusos mostra que, geralmente, eles são pessoas próximas: vizinhos, parentes, professores. Cabe aos pais uma atenção a detalhes. Não se influenciem pela religião, sobrenome, parentesco, amizade. Não confiem cegamente em instituições e pessoas. Fiquem atentos a qualquer mudança de comportamento de seus filhos. Mas, acima de tudo, ajudem a pressionar para que haja mudanças na legislação para que, assim como a Lei Maria da Penha, tenhamos também uma legislação que garanta a proteção preventiva e não punitiva.

Hoje você é um empresário. Como seus novos amigos reagiram?
Os antigos amigos deram apoio, elogiaram minha atitude. Os novos amigos aceitaram com tranquilidade, entenderam que é um processo pessoal. A partir do meu relato, pessoas do meu círculo de amizade me relataram que também tinham enfrentado o mesmo drama e que nunca tiveram coragem de falar. Também recebi relatos de pessoas desconhecidas. Então, o falar sobre o assunto acaba sendo um estímulo para atingir o maior número de pessoas, nos dá força para ampliar a batalha contra a pedofilia.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Depoimento retirado de um comentário...

COMO JÁ ESCREVI, MUITOS ESTÃO COLOCANDO OS SEUS DEPOIMENTOS NOS COMENTÁRIOS. PASSO OS MESMOS PARA A PÁGINA PRINCIPAL PARA QUE POSSAM SER CONHECIDOS. BYA

Tenho raiva do meu pai. Ele fazia coisas erradas comigo e eu não gostava daquilo, mesmo não entendendo o que se passava, eu era uma criança, tinha apenas 6 anos. Ele esperava minha mãe dormi e vinha até o meu quarto e dizia que aquela era a hora da gente brincar. Ele dizia que se contasse pra alguem ia matar minha mãe, eu tinha muito medo que fizesse isso. Foi muito dificil pra mim, eu não conseguia mais dormi nem comer. Sempre chorava quando tinha que voltar pra casa, minha mãe sabia que tava acontecendo alguma coisa, ela me perguntava sempre porque eu tava chorando porqe não queria voltar pra casa, mas eu tinha medo de que ela não acreditasse em mim. Foi então que um dia ela viu que eu tava com dificuldade pra sentar, eu tava muito machucada, e ela veio conversar comigo, queria saber porque tava daquele jeito, ela disse que não eu não precisava ter medo pra contar e eu achei que devia falar, foi quando contei tudo pra ela depois de quase um ano, meu pai tava trabalhando. Foi um momento muito difícil pra mim e pra ela, ela chorava muito e me disse que aquilo nunca mais ia acontecer, ela arrumou nossas coisa e fomos pra casa da minha vó. Elas me levaram no médico no mesmo dia e eles chamaram o conselho tutelar. Meu pai nunca foi preso, ele disse pra minha mãe que não tinha sido ele que tinha feito aquilo, mas ela não acreditou. No começo eu ainda não conseguia dormi, mesmo longe de casa tinha medo que ele aparessesse, mas isso foi passando com o tempo. Eu era muito magrinha, porque eu não comi, mas quando fui pra casa da minha vó eu voltei a comer. Eu nunca mais vi meu pai, sei só que ele saiu da cidade. Eu hoje namoro, ainda é difícil pra mim ter relação com ele, mas estamos indo aos poucos, ele sabe de tudo que aocnteceu e entende.

sexta-feira, 16 de maio de 2014


NESSE DOMINGO É O DIA DE DIVULGAR A CAUSA CONTRA O ABUSO SEXUAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS. POR FAVOR, COMPARTILHEM!!! SOMENTE COM A ELUCIDAÇÃO PODEREMOS DIMINUIR ESSA VIOLÊNCIA E TAMBÉM A OMISSÃO SOCIAL. AGRADEÇO DE CORAÇÃO...SOMENTE QUEM VIVENCIOU O ABUSO SEXUAL ENTENDE A IMPORTÂNCIA DA DIVULGAÇÃO E, INFELIZMENTE, TAMBÉM TODA A DOR QUE O MESMO CAUSA. BYA ALBUQUERQUE


Foto

domingo, 4 de maio de 2014

Depoimento da Laura...

MAIS UMA VEZ O DEPOIMENTO FOI RETIRADO DE UM COMENTÁRIO...JÁ QUE POUCOS COMENTAM OU COSTUMAM LER OS MESMOS. BYA

Olá amigas, podem me chamar de Laura. 
Venho aqui porquê me sinto meio sufocada e acho que alguém poderia entender o que eu falo.
Quando eu tinha 3 anos meu pai me molestou.
Eu cresci sendo uma criança isolada, até hoje me sinto mal.
Minha mãe sabe do ocorrido, mas ela é obcecada com meu pai e tem problema mental então nunca fez nada em relação. 
Sabe o que é pior? Ele é homossexual e diz que o que teve com minha mãe foi apenas uma tentativa de ser normal, mas então qual seria a justificativa pro que ele fez comigo? 
Eu me sinto totalmente sozinha, não posso contar com minha mãe pra nada e com meu pai nem se fala.
Eu não aguento quando alguém fala de pai e mãe comigo, eu sempre choro.
Tenho depressão há muito tempo, mas não faço tratamento. 
Cresci sendo maltratada por ele, ele me fazia sentir como um lixo, nunca fiz grandes amigos, sempre estive mais sozinha e hoje em dia não é muito diferente.
É uma dor que eu carrego à muito tempo, mas talvez eu tenha aprendido a fazer dela uma companhia, alguém que me entende perfeitamente.