Nossas Histórias

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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Depoimento da Liza...

"Sou uma Mulher, "Filha do Silêncio"; no auge da minha maturidade (53 anos de idade). Silenciei toda a minha dor dos abusos que sofri na infância e na adolescência. Isto não quer dizer que não ficaram 'sequelas'. Até hoje ainda faço 'terapia' por Depressão. Razões? Muitas! Mas, só eu sei o 'foco' de todas as razões. Depois de muitas tentativas de suicídio; e cicatrizes tatuadas em meu corpo e em minh'alma; desisti de querer morrer! Tudo bem... eu posso viver com isso. A maturidade me ensinou que - "uma pessoa, ou duas, podem lhe tirar por alguns momentos o sorriso; mas, não podem lhe tirar o 'amor' à vida para sempre..." - Voltei a acreditar no ser humano (homens); e, em todas as razões para viver. Tocando a vida... encontrei com um antigo amigo de trabalho. Ele, um prof. de musculação e eu, na época, profa. de dança de salão; em uma academia. Foi ótimo revê-lo e recordarmos os velhos tempos... Mantivemos contato por alguns meses; saímos juntos; reunimos antigos amigos da academia, etc. Numa noite me ligou para sairmos. Era uma segunda-feira (25 de março - queria apagar esta data do calendário; mas não posso); não estava afim de sair... Segunda-feira! Então o convidei para vir à minha casa... Pensei - "Não tem nada demais..." - Há muito ele estava interessado em ver minhas 'pinturas'... Era uma boa ocasião. Ahhh... Que ingenuidade! Minhas irmãs, "Filhas do Silêncio" não preciso nem dizer o que aconteceu, depois de algumas 'conversinhas' e um "NÃO" bem sonoro; e muitos outros - "não, não... pare eu não quero! - Para resumir; eu, uma mulher 'madura' me vi com dois dedos da mão quebrados, muitos hematomas nos braços e pernas; e sangramentos nas regiões íntimas.... Coloquei aquele 'ser', para fora da minha casa, na ponta de uma faca que peguei na cozinha. Sim! Só posso chamá-lo de 'ser', 'criatura'... Porque, um "animal", não ataca uma fêmea aleatoriamente; ele só 'cruza' para reprodução da espécie, respeitando 'cio' da fêmea e a ordem da natureza; e um "homem" de verdade, 'ouve' quando a mulher diz 'não'. Para este tipo de criatura, ainda não encontrei uma palavra que o identifique. Ah! Se ele tentasse, se aproximar de mim, ou dizer qualquer coisa... Com certeza este depoimento, teria outro fim. Um de nós dois, no dia seguinte estaríamos estampados nas primeiras páginas 'policiais' dos um jornais da cidade. DEUS... Estava iluminando minha casa naquela hora, como sempre esteve em minha vida; para que as coisas não ficassem pior. Ele foi embora sem fazer nada... Sem dizer nada! Eu sabia que precisava de atendimento 'médico'; e imediatamente peguei o telefone... em frações de segundos comecei a organizar meus pensamentos, para relatar os motivos da 'emergência'. Os médicos da 'emergência', já conhecem o meu histórico de "Doente Depressiva", com tendências suicidas e auto-mutilações. Jamais acreditariam em qualquer coisa que eu falace. Me internariam imediatamente; como se eu estivesse em mais um surto de "auto-mutilação"! Nessa fração de segundo o telefone foi deslizando da minha mão... Então, ME CALEI! Silenciei a minha voz mais uma vez... Quando criança, não sabia à quem falar. CALEI! Na adolescência o medo e a vergonha não me deixaram falar. CALEI! E agora na maturidade, por ter todo o conhecimento da "vida"; não posso falar. Vou ter que levar este GRITO preso na garganta e mais uma 'cicatriz' na alma para toda a eternidade! A natureza curou as feridas do meu corpo; sou uma mulher forte... E o silêncio e o amor que trago em meu coração - DEUS! É que podem me proporcionar algum conforto e restabelecer meu equilíbrio para continuar acreditando nos seres humanos e em todas as razões para viver. Mas, este mesmo "Deus", só pode ungir com sua 'Energia' e sua 'Luz' as feridas de minh'alma, que 'sangram, sangram... Sangram! - Sou uma "FILHA DO SILÊNCIO"!"

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